<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Encouraçado de Vê-Ludo &#187; Causo</title>
	<atom:link href="http://diario.weyll.com/categoria/causo/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://diario.weyll.com</link>
	<description>Sítio eletrônico de Duda Weyll</description>
	<lastBuildDate>Thu, 09 Sep 2010 08:57:26 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.1-alpha</generator>
		<item>
		<title>Re: Hora do Pesadelo</title>
		<link>http://diario.weyll.com/causo/re-hora-do-pesadelo/</link>
		<comments>http://diario.weyll.com/causo/re-hora-do-pesadelo/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 13 Aug 2010 23:16:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Duda Weyll</dc:creator>
				<category><![CDATA[Causo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://diario.weyll.com/?p=7374</guid>
		<description><![CDATA[À procura de novos desafios na árida e perigosa Lanhaar, conheci um nobre guerreiro chamado Xandor, homem estimado por todos aqueles que me uni para dizimar as perigosas víboras mágicas que assolavam a localidade. Enquanto nos preparávamos para a batalha, Xandor olhou para mim, ressabiado, e perguntou: - Quem forjou este escudo lendário que usas, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://diario.weyll.com/wp-content/uploads/2010/08/rainhamago.jpg" width="521" height="394" class="alignnone size-full wp-image-7375" /><br />
À procura de novos desafios na árida e perigosa Lanhaar, conheci um nobre guerreiro chamado Xandor, homem estimado por todos aqueles que me uni para dizimar as perigosas víboras mágicas que assolavam a localidade. Enquanto nos preparávamos para a batalha, Xandor olhou para mim, ressabiado, e perguntou:</p>
<p>- Quem forjou este escudo lendário que usas, guardiã? – surpreendentemente modesto.</p>
<p>- Consegui-o nos domínios de Aidion Neckria, meu Senhor, assim que separei a cabeça de Astaroth, o grão duque do Inferno, de seu corpo. – tentando impressionar o valoroso guerreiro.</p>
<p>- Pela glória de Etain, que ato bravo! Como te chamas, guardiã? – questionou-me.</p>
<p>- Chamo-me Ewa, nobre guerreiro, humilde nordein ao teu dispor.</p>
<p>- Pois bem, Ewa, acreditas que faremos algo bravo agora? – sorrindo ligeiramente.</p>
<p>- Sim, tudo o que procuro é em nome do bom espírito de bravura da União da Fúria, desde que alcei vôo de meu vilarejo natal, Suteron.</p>
<p>- Se é um grande desafio que procuras, Ewa, tenho algo melhor para oferecer.</p>
<p>- Deixaste-me curiosa, do que se trata?</p>
<p>- Já que foste a Aidion Neckria, acredito que viajaste bastante por Keuraijen.</p>
<p>- Sim, conheço bem aqueles domínios.</p>
<p>- Conheces Chaos Ruber, à sudeste daquelas redondezas, próximo ao Covil do Dragão? – assim que a alcunha do lugar foi dita, senti gelidez pelas histórias contadas de geração em geração acerca dos grandes guerreiros mortos naquele calabouço, nordeins míticos que lá encontraram o seu fim.</p>
<p>- Sim, estive bem perto da entrada para o lugar enquanto cumpria uma missão de caça. – encurtando-me nas respostas, pois a honra de uma grande jornada se confundia com o pavor do que Xandor estava prestes a me propor.</p>
<p>- Recebi uma carta de um valoroso oráculo, Aneelim, que repousa no Porto do Exército de Aumeros, e o mesmo me aguarda num prazo de cinco dias para que desvendemos os mistérios daquele calabouço. Se desejas algo magnífico para o teu nome junto à União da Fúria, chamo-te humildemente para que nos acompanhe nesta jornada.</p>
<p>- Senhor, saiba que será um honra!</p>
<p>Logo que aceitei o convite, Xandor convocou os guerreiros presentes e os ordenou que continuassem a batalha contra as víboras sem ele, pois seguiria em missão épica comigo e Aneelim; partimos em seguida enquanto o meu coração palpitava amedrontado com toda a penúria que encontraríamos.</p>
<p>Em Aumeros, conheci o elegante vail Aneelim, oráculo de poucas palavras, mas contundente, rigoroso pela nossa atenção no plano para investigar os tesouros de Chaos Ruber. Em pouco tempo partimos pela rota sul do vilarejo calados, tentando não transparecer o receio e a ansiedade daquilo que poderia ser o caminho para a nossa morte. Assim que chegamos ao portal do temido calabouço, protegido por zumbis, mutantes e espíritos malignos, precisamos deixar o medo para trás a fim de cumprir a saga.</p>
<p>- Entremos. – pediu Aneelim.</p>
<p>Atravessado o portal, dentro do domínio fétido e repugnante, crânios esmagados de vails e nordeins, aparentemente de todas as épocas que eu poderia supor, foi-nos o convite de entrada para o calabouço. Percorremos aquilo que parecia um mundo paralelo, infestado de guerreiros e magos esqueletos, por portais que nos levavam de volta à entrada e nos confundia constantemente, até que atravessamos para uma dimensão que não era a nossa e nos deparamos com uma criatura gigantesca a nos questionar:</p>
<p>- O que fazem aqui, impuros? Este é o domínio da grande mãe, a Rainha Vampira Mago, não é lugar para vocês!</p>
<p>Mal terminou a frase e nos atacou; travamos longa batalha até que o derrotamos e atravessamos mais um portal onde outra criatura exclamou:</p>
<p>- Mataram meu irmão, impuros, não creiam que sairão daqui vivos!</p>
<p>Muito cansados, após percorrer todo aquele submundo, combatemos o ser monstruoso quase sem forças e sem saída para a desistência, quando Aneelim, já cambaleante, foi atingido mortalmente. Amigo de Xandor a décadas, percebi o guerreiro migrar dum pesar profundo para um ódio brutal em instantes, atacando a criatura até que a mesma sucumbiu aos nossos golpes.</p>
<p>- Não podemos continuar. – disse a Xandor.</p>
<p>- Por que não? – perguntou-me, olhando-me num misto de amargor e raiva.</p>
<p>- Quem irá curar nossas sinas?</p>
<p>- O que cura as nossas sinas é a vontade de lutar, guardiã. Um amigo de longa data acabou de morrer, mas não é por isso que deixarei de ser um nordein, não é por isso que abandonarei a União da Fúria.</p>
<p>Envergonhada, estirei meu braço para que ele se levantasse do zelo ao cadáver do amigo e disse:</p>
<p>- Vamos continuar.</p>
<p>Não sabíamos que se tratava do último portal a atravessar e, ultrapassado, deparamo-nos com uma monstruosa vampira, que sorriu e brincou:</p>
<p>- Muito bem, impuros, mateis os meus filhos, mas como ousais enfrentar Mago, a Rainha Vampira, sem um oráculo? Vós sois apenas dois frágeis nordeins. </p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://diario.weyll.com/causo/re-hora-do-pesadelo/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Introdução</title>
		<link>http://diario.weyll.com/causo/introducao/</link>
		<comments>http://diario.weyll.com/causo/introducao/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 29 Jul 2009 00:36:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Duda Weyll</dc:creator>
				<category><![CDATA[Causo]]></category>
		<category><![CDATA[Passo em Falso]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://diario.weyll.com/?p=4678</guid>
		<description><![CDATA[Chegamos atrasados, durante a hora a mais que congelou toda a rua, portanto, afoitos, pedimos um espaço na sala de aquecimento, em meio à fila imensa, e fomos atendidos com gentileza pelo aspecto azulado de nossas peles. Recuperados, agradecemos a todos os que cederam o lugar à frente e nos encaminhamos ao bar. - Ichiju-sansai, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Chegamos atrasados, durante a hora a mais que congelou toda a rua, portanto, afoitos, pedimos um espaço na sala de aquecimento, em meio à fila imensa, e fomos atendidos com gentileza pelo aspecto azulado de nossas peles. Recuperados, agradecemos a todos os que cederam o lugar à frente e nos encaminhamos ao bar.</p>
<p>- Ichiju-sansai, por favor! &#8211; pedi ao garçom.</p>
<p>- Uísque duplo e sem gelo, garoto. &#8211; pediu Roco.</p>
<p>- Não sabia que é permitido álcool em Ganimedes. &#8211; espantado, pois a maioria das colônias de terraformação fracassada não permite o comércio de substâncias que alteram o comportamento.</p>
<p>- Você marca comigo nesse fim de mundo e nem conhece o lugar? Por que não fizemos isso pela rede? &#8211; irritado com o desencontro na chegada ao satélite.</p>
<p>- Calma, Roco, eu só não confio na rede.</p>
<p>- Está dizendo que o nosso protocolo é falho? &#8211; recebe o copo com uísque e dá um trago generoso.</p>
<p>- Não falo do sistema de Europa; a Lua é muito perto da Terra.</p>
<p>- Aquele buraco de corruptos é, realmente, algo a se preocupar.</p>
<p>- Pelo menos somos democráticos, não é?</p>
<p>- Foi pra criticar a política do lado frio do Sistema Solar que me chamou?</p>
<p>- Não, claro, não foi pra isso!</p>
<p>- Então desembucha, lunar!</p>
<p>- Como você sabe, a terraformação da terra será votada no concílio terrestre&#8230;</p>
<p>- E não sei se é redundante ou irônico. &#8211; sorrindo, após interromper.</p>
<p>- Eu sei, é uma falácia.</p>
<p>- Como assim?</p>
<p>- Algumas fontes descobriram que a maioria dos membros do concílio está investido alto em empresas de pesquisa e produção de reatores de grávitons de hidrogênio.</p>
<p>- Para a terraformação?</p>
<p>- Não, são reatores de tamanho mínimo, próprios para espaçonaves.</p>
<p>- Isso muda a coisa de figura&#8230; O que sabe mais?</p>
<p>- Temos códigos de lançamento em massa previstos para pouco mais de um ano terrestre, seis semanas antes do início do processo de terraformação. &#8211; recebi o ichiju-sansai com dashi e reclamei ao garçom: &#8211; Não é dashi, quero misoshiru!</p>
<p>- Mas o Ichiju-sansai da casa é com dashi, Senhor! &#8211; retrucou o garçom.</p>
<p>- Engole essa porcaria assim mesmo, Gavin! &#8211; reclamou Roco. &#8211; Vai embora, moleque! &#8211; ordenou ao garçom, gesticulando vigorosamente. &#8211; Continua. &#8211; pediu-me.</p>
<p>- Eu não vou comer isso! &#8211; avisei.</p>
<p>- Fala primeiro e come depois! &#8211; demonstrando interesse pelo o que eu tinha a dizer.</p>
<p>- Tudo bem&#8230; As coordenadas de lançamento, por serem em massa e partirem de pontos distintos, não denunciam o destino, mas acreditamos que, pela capacidade dos reatores, podem alcançar até o nó de Netuno.</p>
<p>- Isso é muito interessante, mas não creio que vão tão longe.</p>
<p>- Também pensamos nisso; Tritão não comporta a população que especulamos.</p>
<p>- Quantos seriam?</p>
<p>- Quatro milhões.</p>
<p>- É um número alto.</p>
<p>- Pode acreditar.</p>
<p>- E o que você quer?</p>
<p>- Possivelmente, a terraformação é uma tentativa de levantar recursos para matar a população e retomar de um satélite.</p>
<p>- Isso é óbvio, mas o que quer?</p>
<p>- Eu te vendo as coordenadas de lançamento para que possa capturar as naves fora da zona de proteção terrestre.</p>
<p>- Para quem se diz um democrata, está me saindo um excelente anarco-capitalista!</p>
<p>- Parece, mas não perguntou o meu preço.</p>
<p>- Já que se antecipou, pode dizer.</p>
<p>- Durante a operação, desejo proteção total da biosfera lunar e, depois, dez por cento dos recursos pilhados.</p>
<p>- E a Terra?</p>
<p>- Creio que, sem recursos para alimentar as cidades subterrâneas, morrerão todos em menos de um ano.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://diario.weyll.com/causo/introducao/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Fragmento de Ana Dodói</title>
		<link>http://diario.weyll.com/causo/fragmento-de-ana-dodoi/</link>
		<comments>http://diario.weyll.com/causo/fragmento-de-ana-dodoi/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 18 Apr 2009 20:29:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Duda Weyll</dc:creator>
				<category><![CDATA[Causo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://weyll.com/nasurdina/?p=3824</guid>
		<description><![CDATA[Déia: Pensou sobre a Ana? Tito: Sim. Déia: E o que decidiu? Tito: Se ela se predispor a fazer um exame toxicológico semanal, recebe o dinheiro. Déia &#8211; surpresa e repreensiva: Tiiito! Tito: O que queria? Depois do que ela fez, é o mínimo que posso fazer! Déia: Isso é crueldade, Tito! Tito: Crueldade será [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Déia:</p>
<p>Pensou sobre a Ana?</p>
<p>Tito:</p>
<p>Sim.</p>
<p>Déia:</p>
<p>E o que decidiu?</p>
<p>Tito:</p>
<p>Se ela se predispor a fazer um exame toxicológico semanal, recebe o dinheiro.</p>
<p>Déia &#8211; surpresa e repreensiva:</p>
<p>Tiiito!</p>
<p>Tito:</p>
<p>O que queria? Depois do que ela fez, é o mínimo que posso fazer!</p>
<p>Déia:</p>
<p>Isso é crueldade, Tito!</p>
<p>Tito:</p>
<p>Crueldade será se eu der essa grana toda na esperança que ela estude e, ao invés disso, eu tenha que ir buscar o corpo no IML.</p>
<p>Déia:</p>
<p>Ai, para! Você fala assim, com essa calma, mas esquece que é sua irmã! O que ela vai pensar quando&#8230;</p>
<p>Tito &#8211; interrompendo:</p>
<p>Como? O que ela vai pensar? Déia, acorda! Quantas vezes internamos a Ana depois de quase morrer? Quatro? Cinco? Me lembra porque tô esquecido!</p>
<p>Déia:</p>
<p>Esquece isso, não vou brigar com você, mas não tenho coragem de ir dizer isso pra ela.</p>
<p>Tito:</p>
<p>Não foi ela que pediu ajuda? Vai te procurar&#8230; E eu não quero brigar.</p>
<p>Déia:</p>
<p>É o que tá parecendo. Se bem sabe como é a nossa irmã, vai vir aqui pra cuspir a raiva.</p>
<p>Tito:</p>
<p>Eu sei.</p>
<p>Déia:</p>
<p>Sabe e se comporta feito criança!</p>
<p>Tito:</p>
<p>Não, quero o melhor para a Ana.</p>
<p>Déia:</p>
<p>Você tá querendo passar por pai com cabeça de irmão mais velho; só isso.</p>
<p>Tito:</p>
<p>Déia, se ela continuar explodindo por qualquer coisa, nunca vai saber se virar.</p>
<p>Déia &#8211; irônica:</p>
<p>E você sabe.</p>
<p>Tito:</p>
<p>Você quer me comparar?</p>
<p>Déia:</p>
<p>Nunca parou pra imaginar que a Ana chegou onde chegou com a sua ajuda?</p>
<p>Tito:</p>
<p>Fui eu quem subiu o morro e colocou o cachimbo de crack nos beiços da Ana?</p>
<p>Déia:</p>
<p>Não, mas fomos nós que a impedimos de cursar o mesmo curso que você está pretendendo pagar agora&#8230; Cuidado com o que considera melhor pra ela!</p>
<p>Tito:</p>
<p>Déia, me deixa trabalhar!</p>
<p>Déia:</p>
<p>Tá bom, patrão!</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://diario.weyll.com/causo/fragmento-de-ana-dodoi/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Híbridos</title>
		<link>http://diario.weyll.com/causo/hibridos-2/</link>
		<comments>http://diario.weyll.com/causo/hibridos-2/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 01 Mar 2009 19:32:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Duda Weyll</dc:creator>
				<category><![CDATA[Causo]]></category>
		<category><![CDATA[Híbridos]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://weyll.com/nasurdina/?p=3270</guid>
		<description><![CDATA[Durante todo o dia, evitei ser agressivo com Laila, fui excessivamente carinhoso, fiz todos os seus caprichos e, sabendo da minha tática, ela abusou. Além do costume de sairmos juntos para trabalhar, visitei a sua loja a ouvir tudo o que ela tinha em mente, comprometi-me a ajudá-la na empreitada e, mais tarde, após o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Durante todo o dia, evitei ser agressivo com Laila, fui excessivamente carinhoso, fiz todos os seus caprichos e, sabendo da minha tática, ela abusou. Além do costume de sairmos juntos para trabalhar, visitei a sua loja a ouvir tudo o que ela tinha em mente, comprometi-me a ajudá-la na empreitada e, mais tarde, após o horário de serviço, saímos à sua escolha; um bistrô aconchegante em que jantamos pela primeira vez. Passamos duas horas a conversar sobre a nossa própria vida, de como mudamos em cinco anos e de como podemos mudar nos próximos. Subitamente, intercedendo a minha chamada ao maître, pediu:</p>
<p>- Você promete que paramos se percebermos que vamos ultrapassar algum limite?</p>
<p>Não entendi de princípio do que se tratava e parei antes de chamar o senhor.</p>
<p>- Não entendi, amor.</p>
<p>- O bebê. &#8211; sorriu.</p>
<p>- Isso é um sim? &#8211; eu, que já estava animado, enchi-me de graça naquele momento.</p>
<p>- Não, isso é uma pergunta.</p>
<p>- Bem, depende do que podemos considerar um limite.</p>
<p>- É não fazer de tudo por um risco.</p>
<p>- Que tipo de risco?</p>
<p>- Sabe a Kelly?</p>
<p>- O que tem Kelly? &#8211; uma moça que trabalha em sua loja.</p>
<p>- Ela tá prestando vestibular e me disse umas coisas.</p>
<p>- Que coisas?</p>
<p>- Eu falei do que queremos fazer, sem dizer que somos nós, claro, e ela me contou que seria clonagem.</p>
<p>- Bem, segundo entendi, o material genético de um dos espermatozoides vai substituir o do óvulo.</p>
<p>- Desculpa, Lula, não entendo isso.</p>
<p>- Bem, em tese, a criança vai nascer com traços meus e seus; metade de cada.</p>
<p>- Isso parece errado.</p>
<p>- Não iremos saber se não tentar entender.</p>
<p>- Escuta só.</p>
<p>- Diga.</p>
<p>- Eu vou ao médico contigo, mas com uma condição.</p>
<p>- Qualquer uma.</p>
<p>- Eu só quero ouvir o que ele tem pra dizer sobre isso, então você vai me prometer que se ouver a menor chance de acontecer um trauma, paramos por aqui com essa ideia.</p>
<p>- Laila.</p>
<p>- Sim.</p>
<p>- Eu te amo.</p>
<p>- Eu sei, mas quero que prometa.</p>
<p>- Eu prometo.</p>
<div align="center">
<table align="center">
<tr>
<td><a href="http://diario.weyll.com/causo/hibridos" onmouseover="Tip('Primeiro capítulo')" onmouseout="UnTip()"><img src="http://www.weyll.com/imagens/setas/primeiro.jpg" border="0"></a></td>
<td><a href="http://diario.weyll.com/nasurdina/#" onmouseover="Tip('Ainda não publicado')" onmouseout="UnTip()"><img src="http://www.weyll.com/imagens/setas/proximo.jpg" border="0"></a></td>
</tr>
</table>
</div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://diario.weyll.com/causo/hibridos-2/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Híbridos</title>
		<link>http://diario.weyll.com/causo/hibridos/</link>
		<comments>http://diario.weyll.com/causo/hibridos/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 01 Mar 2009 10:36:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Duda Weyll</dc:creator>
				<category><![CDATA[Causo]]></category>
		<category><![CDATA[Híbridos]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://weyll.com/nasurdina/?p=3261</guid>
		<description><![CDATA[26 de janeiro Laila estava deitada de costas para mim, aconchegada aos meus braços; acariciava o interior das suas pernas com o meu joelho esquerdo enquanto sentia o cheiro doce do hidratante misturado ao suor da sua nunca. Era um dia de domingo, ela estava feliz e me contava os novos planos para a sua [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3>26 de janeiro</h3>
<p>Laila estava deitada de costas para mim, aconchegada aos meus braços; acariciava o interior das suas pernas com o meu joelho esquerdo enquanto sentia o cheiro doce do hidratante misturado ao suor da sua nunca. Era um dia de domingo, ela estava feliz e me contava os novos planos para a sua loja de roupas, do tempo que despenderia para que tudo funcionasse ao seu agrado, mas que depois de feito disporia de alguma folga. Sugeriu que viajássemos, relembrou das férias que passamos em Natal, torrando na areia da Praia de Ponta Negra.</p>
<p>- Adoraria viajar, mas eu queria algo mais.</p>
<p>- Não entendi. Não está feliz comigo? &#8211; virou-se e me olhou nos olhos.</p>
<p>- Não é isso, é claro que estou feliz. Eu te amo. &#8211; beijei-a prolongadamente.</p>
<p>- Então diz o que é. &#8211; sussurrou ao meu ouvido.</p>
<p>Afastei-a, a segurá-la pelos ombros, respirei e propus:</p>
<p>- Quero um filho.</p>
<p>Laila parou por um momento, virou o rosto para a janela, voltou-o para mim e sorriu.</p>
<p>- Eu também quero, mas não sei como é esse negócio de adoção, ainda mais para nós.</p>
<p>- Não quero adotar uma criança.</p>
<p>- Ai, meu Deus&#8230; Você quer fazer com outra mulher?</p>
<p>- Não, contigo.</p>
<p>- Espera&#8230; Estamos juntos há cinco anos e ainda não percebeu que eu não tenho perereca? &#8211; brincou.</p>
<p>- Nossa, não tem?</p>
<p>- Não tem graça, Lula!</p>
<p>- Desculpa, desculpa. &#8211; beijei-a. &#8211; Procurei um amigo meu.</p>
<p>- E?</p>
<p>- Ele é médico.</p>
<p>- Acho que nem quero ouvir a bomba.</p>
<p>- Só ouça, juro que não toco mais no assunto se não quiser.</p>
<p>- Então diga.</p>
<p>- Ele me disse que podemos ter um filho, mas vai ser difícil.</p>
<p>- Difícil quanto e como?</p>
<p>- Bom, é ilegal e nunca foi feito com gente.</p>
<p>- Então esquece, temos problemas demais e não sou cobaia.</p>
<p>- Ele conseguiu fazer com camundongos.</p>
<p>- Olha pra mim.</p>
<p>- Tô olhando.</p>
<p>- Sou o Mickey Mouse?</p>
<p>- Não brinca, só quero explicar como seria.</p>
<p>- Não sei se vou entender e se vou gostar do que vou ouvir.</p>
<p>- Ao menos tenta, Laila.</p>
<p>- Tá bom, então não enrola e diga tudo de uma vez! &#8211; visivelmente impaciente e irritada.</p>
<p>- Ele é capaz de combinar as matrizes de dois espermatozoides para implantar num óvulo.</p>
<p>- Já tentamos uma barriga de aluguel e você sabe no que deu; esquece.</p>
<p>- Aí que tá!</p>
<p>- Aí que tá o que?</p>
<p>- Você vai ser a barriga de aluguel.</p>
<p>- Eu vou ser o que? Já falamos da falta de uma perereca, não foi?</p>
<p>- Sim, mas isso não é problema.</p>
<p>- Ele pode fazer mesmo isso?</p>
<p>- Pode sim.</p>
<p>- Não!</p>
<p>- Posso te pedir uma coisa?</p>
<p>- Lá vem!</p>
<p>- Posso?</p>
<p>- Pode.</p>
<p>- Aceita conversar com ele?</p>
<p>- Não, isso não é ilegal?</p>
<p>- Eu quero procurar nossos direitos na justiça.</p>
<p>- Você quer?</p>
<p>- Quero.</p>
<p>- E nem perguntou se eu quero.</p>
<p>- Você entendeu, preciso de você pra isso.</p>
<p>- Não.</p>
<p>- Posso pedir outra coisa?</p>
<p>- Tá pedindo demais, Lula.</p>
<p>- Isso que vou pedir é mais fácil.</p>
<p>- Peça.</p>
<p>- Pense e depois me responda.</p>
<p>- Já pensei.</p>
<p>- Pensou não, vou te perguntar amanhã.</p>
<p>- Você é um filho da puta!</p>
<p>- Amanhã?</p>
<p>- Desgraçado!</p>
<p>- Tá bom, amanhã.</p>
<p>- Tá, peste, amanhã eu te digo não de novo!</p>
<div align="center">
<table>
<tr>
<td><a href="http://diario.weyll.com/causo/hibridos-2" onmouseover="Tip('Próximo capítulo')" onmouseout="UnTip()"><img src="http://www.weyll.com/imagens/setas/proximo.jpg" border="0"></a></td>
</tr>
</table>
</div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://diario.weyll.com/causo/hibridos/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A Morte da Representação</title>
		<link>http://diario.weyll.com/causo/a-morte-da-representacao/</link>
		<comments>http://diario.weyll.com/causo/a-morte-da-representacao/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 03 Feb 2009 22:06:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Duda Weyll</dc:creator>
				<category><![CDATA[Causo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://weyll.com/nasurdina/?p=3062</guid>
		<description><![CDATA[- Átila, você pode me ajudar com o meu celular? - O que houve? - A tela está clara demais, acho que desconfigurei ou deu problema. - Deixa ver. &#8211; toma o celular das mãos do irmão e o verifica. &#8211; É a tela, algo na limentação com a bateria. - Como sabe? - Brilho, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>- Átila, você pode me ajudar com o meu celular?</p>
<p>- O que houve?</p>
<p>- A tela está clara demais, acho que desconfigurei ou deu problema.</p>
<p>- Deixa ver. &#8211; toma o celular das mãos do irmão e o verifica. &#8211; É a tela, algo na limentação com a bateria.</p>
<p>- Como sabe?</p>
<p>- Brilho, contraste e saturação estão normais, dá pra perceber o problema nessa cor desbotada da tela.</p>
<p>- Dá pra consertar?</p>
<p>- Dá sim, mas só às nove horas.</p>
<p>- Vai sair?</p>
<p>- Sim, vou ao tribunal legislativo.</p>
<p>- Puta merda, você e essa fixação por leis!</p>
<p>- Não é fixação, é necessidade.</p>
<p>- Necessidade?</p>
<p>- Sim, preciso votar para que a nova lei de mecatrônica entre na pauta.</p>
<p>- Nunca entendi esse negócio de democracia digital.</p>
<p>- Deveria, depois disso nunca mais precisamos ter ladrões pagos pelo povo, ops, representantes.</p>
<p>- Como é esse negócio dessa lei?</p>
<p>- O projeto precisa ser votado por 10 por cento da população para que entre em processo de aprovação.</p>
<p>- Aí tem aquela chatice de ir votar por maioria absoluta, sei.</p>
<p>- Para de reclamar, você tem 24 horas por dia e 7 dias por semana durante um mês para isso.</p>
<p>- Atravessar o bairro é traumatizante. &#8211; ri.</p>
<p>- Tá certo. Já vou, até!</p>
<p>- Até!</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://diario.weyll.com/causo/a-morte-da-representacao/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Pés por todo o resto</title>
		<link>http://diario.weyll.com/causo/pes-por-todo-o-resto/</link>
		<comments>http://diario.weyll.com/causo/pes-por-todo-o-resto/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 11 Jan 2009 04:11:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Duda Weyll</dc:creator>
				<category><![CDATA[Causo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://weyll.com/nasurdina/?p=2905</guid>
		<description><![CDATA[Aquele grandessíssimo filho de uma puta acha que é alguma porcaria que valha a pena, sentiu-se confortável para me dizer o que disse como se fosse um mero cumprimento matinal! Como assim, pedaço de carne de quinta? Tenho certeza que só enjoou de mim, da mesma forma que fugiu quando se cansou das outras; eu, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Aquele grandessíssimo filho de uma puta acha que é alguma porcaria que valha a pena, sentiu-se confortável para me dizer o que disse como se fosse um mero cumprimento matinal! Como assim, pedaço de carne de quinta? Tenho certeza que só enjoou de mim, da mesma forma que fugiu quando se cansou das outras; eu, idiota completa, acreditei que comigo seria diferente&#8230; Diferente, sei&#8230;</p>
<p>- Idiota!</p>
<p>- É comigo? – irritada, uma garota que também espera o ônibus, acredita que o meu raciocínio dito por impulso fora para ela.</p>
<p>- Não, perdão&#8230; – envergonhada, não sei o que sentir: esfrego o rosto com as palmas das mãos ao mesmo tempo em que uma careta brota do semblante.</p>
<p>- Precisa de ajuda?</p>
<p>- Não, acho que pensei alto, mas consigo superar. Perdão novamente.</p>
<p>- Quer conversar?</p>
<p>- Obrigada, mas acho que não.</p>
<p>- Tudo bem, se precisar sou toda ouvidos! &#8211; sorri.</p>
<p>- Obrigada! &#8211; abaixo a cabeça.</p>
<p>Levanto a cabeça e fixo a visão sobre a distorção do calor sobre o asfalto, mas a dança daquelas formas rígidas não me basta para que me desvie do ódio. Quase esqueço do acontecido só por trocar algumas palavras com uma desconhecida; talvez seja isso o que me falta, ocupar-me com algo para não lembrar. Conto as telhas das casas e a garota se levanta, avalio as cores neutras de suas roupas e a mesma se aproxima da estrada; um carro surge lentamente na distância borrada pelo sol.</p>
<p>- Vem carro, vou pedir carona pra ver se cola! &#8211; animada, ergue o braço direito no característico sinal com o polegar.</p>
<p>Mantenho-me sentada porque quase nunca param. Aproxima-se e vejo uma mulher e dois rapazes no veículo. Levanto-me por haver chance de carona, todavia, por precaução, não me aproximo tanto da pista. Agora estão muito perto e reduzem a velocidade. Cochicham entre si e um rapaz sentado no banco dianteiro pergunta para a garota que aguardava comigo:</p>
<p>- Carona?</p>
<p>- Sim. &#8211; apressa-se para entrar, mas para, repentinamente. &#8211; Ela também vai para a cidade! &#8211; Referindo-se a mim, que me aproximo.</p>
<p>- Só tem lugar pra uma. &#8211; afirma o rapaz enquanto a garota olha para mim com cara de dó.</p>
<p>- Sem problema, vai lá! &#8211; finjo um sorriso e faço sinal de positivo para que ela vá de uma vez.</p>
<p>- Tá&#8230; Tchau! &#8211; despede-se.</p>
<p>O rapaz abre a porta, sai para que ela se sente no banco traseiro e entra em seguida. O carro parte, lentamente acelera, e o mesmo rapaz diz em voz alta:</p>
<p>- Fica aí, cachalote!</p>
<p>Claro que havia espaço.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://diario.weyll.com/causo/pes-por-todo-o-resto/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A Outra Versão</title>
		<link>http://diario.weyll.com/causo/a-outra-versao/</link>
		<comments>http://diario.weyll.com/causo/a-outra-versao/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 22 Dec 2008 04:57:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Duda Weyll</dc:creator>
				<category><![CDATA[Causo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://weyll.com/nasurdina/?p=2709</guid>
		<description><![CDATA[Há pouco mais de oito anos, li um trecho do seu diário a relatar essa passagem das nossas vidas; fiquei constrangido por tratar-se de mim, em carne e osso, cagado e cuspido, mas, por outro lado, agraciado por fazer parte desse capítulo autobiográfico de uma mulher que jamais esqueci. Não chamarei ninguém pelo nome, diferente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há pouco mais de oito anos, li um trecho do seu diário a relatar essa passagem das nossas vidas; fiquei  constrangido por tratar-se de mim, em carne e osso, cagado e cuspido, mas, por outro lado, agraciado por fazer parte desse capítulo autobiográfico de uma mulher que jamais esqueci. Não chamarei ninguém pelo nome, diferente do que ela fez em sua versão, pois, numa finalidade distinta, a minha será publicada.</p>
<p>Em meados de 1999, abandonei o curso acadêmico de Filosofia para passar uma temporada em  Brasília, mas pouco tempo fiquei; talvez três meses até voltar à minha cidade natal, Ilhéus. Eu, um garoto de dezenove anos que até então era sustentado pelos genitores, mal sabia o que fazer da vida, talvez tivesse a intenção de ser músico ou artista plástico mesmo sem coragem para enfrentar o preconceito familiar, ou repleto de covardia por não se sentir capaz. Em casa, vivia em frente ao computador enquanto o meu pai pedia insistentemente para que eu estudasse a fim de prestar um concurso público da área do Direito, a sua especialidade, todavia eu fingia que concordava e ele fingia que acreditava numa decisão minha favorável às suas pretensões. O clima do lar era tenso, pois havia abandonado a faculdade por uma viagem que ninguém sabia ao certo do que se tratava; a princípio, eu iria montar alguns servidores de internet no DF, mas era mais uma balela da minha vida desleixada para ter sexo e drogas longe de qualquer pessoa que me conhecesse desde criança. Um dia liguei chorando para a minha mãe e pronto, as passagens de volta estavam lá no dia seguinte, mas um inferno astral se preparava para questionar a validade das minhas diretrizes por muito tempo.</p>
<p>Sempre fui uma pessoa de hábitos noturnos, por ser boêmio ou viciado em café, portanto, distante das vidas que dormiam, eu criava um mundo e aceitava outros tantos que se proclamavam à minha frente. Numa dessas noites,  voltei bêbado da rua, liguei o computador, executei o navegador de internet e entrei num sítio eletrônico de bate-papo qualquer, não me lembro qual. Chamei-me “Nietzsche”, mas errei a grafia, coloquei o “t” à frente do “h”, troquei porque ainda mal sabia quem era o existencialista, conhecia-o de alguns resumos e da leitura superficial de “Humano, Demasiado Humano”, apenas pensei que seria “cult” ou qualquer zorra que o valha. A sala de Ilhéus estava cheia de homens, o que me desanimou, mas havia uma mulher que se apresentava como Ruiva; cor de madeixas que sempre mexeu com as minhas fantasias e libido. Iniciei a conversa com ela, que foi receptiva, entretanto, quando o dia estava prestes a raiar, algum fela da puta que cismou com a grafia incorreta do nome alemão, resolveu espezinhar-me em canal aberto, colando textos imensos do próprio Nietzsche na sala, para que, talvez, eu me sentisse envergonhado por ter cometido aquela, segundo o mesmo,  profanação filosófica. Com o pouco de argumento que possuía, tentei debater com o desgraçado, contudo, para a minha surpresa, a ruiva me disse que precisava sair, mas me deu o número do seu telefone e pediu o meu. Era tudo o que eu precisava; dei o número, saí da sala e liguei para ela. Logo que atendeu, percebi que possuía um sotaque paulistano marcante. Perguntei-lhe o nome e ela me disse, perguntou-me o meu e eu também. Contou-me ser engenheira florestal e eu respondi, mentindo, ser estudante de Filosofia (nunca mais retornaria ao curso). Descreveu-me das poucas amizades que havia feito na cidade e de como precisava conhecer novas pessoas, então, propus-me conhecê-la, mas disse que não tinha um puto no bolso. Apesar de estar lidando com um liso e sem vergonha, a ruiva afirmou que não haveria problema se só ela bancasse a saída, por conseguinte marcamos para as duas horas do dia que acabara de nascer em um quiosque da Avenida 2 de Julho, um reduto de turistas. Aproximações e planejamentos feitos, despedimo-nos e fui dormir.</p>
<p>Assim que acordei, mal recordava do horário marcado, mas, faltando meia hora para o dito cujo, passei pela frente do computador e me lembrei. Ainda com os olhos inchados, procurei o telefone da ruiva, achei com dificuldade e liguei apressado para avisá-la que eu poderia chegar alguns minutos atrasado. Ela atendeu e, gentilíssima, pediu para que eu não tivesse pressa, pois estaria no Centro  para resolver pendências pessoais. Tomei um banho rápido, vesti-me e fui a pé ao local marcado.</p>
<p>Quando estava perto de chegar, liguei do celular para ela.</p>
<p>- Já estou aqui. – respondeu.</p>
<p>Apressei os passos para encontrá-la e, quando cheguei, deparei-me com uma mulher madura para a minha idade, de seus 30 anos, o que causou um certo afastamento meu pela experiência inédita. Ela não era bonita, ou melhor, não era convencionalmente bonita; tinha dentes pronunciados, algumas tatuagens e os cabelos mais vermelhos que eu já tinha visto, vermelhos com química. Conversamos durante um bom tempo a beber algumas cervejas, reduzimos o distanciamento inicial e, aproximando-se do ocaso, preferimos ir embora dali. Como morávamos na mesma direção para quem saía do Centro, caminhamos juntos até a entrada do meu bairro, mas ela me fez um convite:</p>
<p>- Quer conhecer o meu apê? Eu moro logo ali em frente! – aceitei.</p>
<p>O apartamento da ruiva era algo espetacular, uma mistura de culturas bem interessante; das cores posterizadas do “Post-punk” inglês às luminárias japonesas, tudo se parecia  com ela. Pedi para ver uma tatuagem de estilo tribal em suas costas, um desenho agressivo. Ela ergueu um pouco a camisa e se virou de costas. Eu pedi para tocar, pois, apesar do tamanho e diversidade das cores, não apresentava nenhum quelóide, mas, centímetros antes do toque em si, eu quis virá-la com força para beijá-la ali mesmo; não o fiz, insisti forçosamente um olhar clínico sobre a tatuagem, deslizando os meus dedos a esperar que ela esboçasse um sinal para que eu desistisse daquilo e tornasse ação o meu desejo.</p>
<div align="right">Continua, ou não.</div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://diario.weyll.com/causo/a-outra-versao/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Precisão</title>
		<link>http://diario.weyll.com/causo/precisao/</link>
		<comments>http://diario.weyll.com/causo/precisao/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 15 Dec 2008 22:46:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Duda Weyll</dc:creator>
				<category><![CDATA[Causo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://weyll.com/nasurdina/?p=2643</guid>
		<description><![CDATA[Sim, desejei levantar-me a fim de contá-la quanta saudade sentia, mas permaneci sentado, olhando para o palco como quem presta atenção à peça; fingi que não a vi. Por toda a confusão passada, mentiras minhas e dela, o ódio que senti, o mesmo que me autorizou a xingá-la sem o menor senso crítico, tornou aquela [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sim, desejei levantar-me a fim de contá-la quanta saudade sentia, mas permaneci sentado, olhando para o palco como quem presta atenção à peça; fingi que não a vi. Por toda a confusão passada, mentiras minhas e dela, o ódio que senti, o mesmo que me autorizou a xingá-la sem o menor senso crítico, tornou aquela paixão dolorosa a partir do distanciamento abrupto; nutri com ódio um amor que insisti &#8211; incessante, falacioso e em fracasso &#8211; negar.</p>
<p>Lá pelo terceiro ato, quando me questionei se aquela situação me fazia bem, saí dali e me encaminhei ao hall de entrada do Municipal; o meu coração mal me deixava respirar de tão excitado, eu queria voltar, mas me sentia impotente&#8230; as minhas mãos suavam frio, os meus lábios tremiam e nada ao meu redor parecia digno de ser notado &#8211; assemelhava-me a um adolescente, um bêbedo ou, quiçá, um retardado.</p>
<p>Sobre o chão de mosaico que sempre me causou tontura, naquele momento em dobro, caí.</p>
<p>- Fausto! &#8211; ouvi o grito. &#8211; Fausto! &#8211; não queria que fosse aquela maldita, &#8211; Fausto! &#8211; mas era.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://diario.weyll.com/causo/precisao/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Fragmento da Promessa Não Cumprida</title>
		<link>http://diario.weyll.com/causo/fragmento-da-promessa-nao-cumprida/</link>
		<comments>http://diario.weyll.com/causo/fragmento-da-promessa-nao-cumprida/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 23 Nov 2008 04:00:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Duda Weyll</dc:creator>
				<category><![CDATA[Causo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://weyll.com/nasurdina/?p=2457</guid>
		<description><![CDATA[Contrariando a normalidade, cheguei cedo à sala de aula, quase duas horas antes do início da maçante disciplina de composição, pois me sentia tensa por não ter conseguido criar os desenhos necessários para que fosse avaliada; faltava duas semanas para a entrega dos trabalhos e eu mal havia terminado a primeira metade. Surpresa, encontrei Melissa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Contrariando a normalidade, cheguei cedo à sala de aula, quase duas horas antes do início da maçante disciplina de composição, pois me sentia tensa por não ter conseguido criar os desenhos necessários para que fosse avaliada; faltava duas semanas para a entrega dos trabalhos e eu mal havia terminado a primeira metade. Surpresa, encontrei Melissa sentada à última fila de cadeiras, com um semblante comtemplativo, bloco aberto e bastões de papel espalhados sobre a mesa: apesar de ser criativa, quase sempre chegava atrasada e não correspondia aos apelos de todos os professores para que fizesse o proposto.</p>
<p>- Boa noite, Melissa! &#8211; cumprimentei.</p>
<p>- Oi, Bruna! Você pode me ajudar? &#8211; logo imaginei que deveria estar em situação muito pior do que a minha.</p>
<p>- Depende&#8230; Fala.</p>
<p>- Eu não agüento essa aula de Lúcia, são tantas instruções que me sinto acorrentada.</p>
<p>- É verdade, às vezes me confunde.</p>
<p>- Sabe, eu só assisto a aula dela chapada.</p>
<p>- Percebi! &#8211; sorri.</p>
<p>- Percebeu? Ai, meu Deus! &#8211; ironizou.</p>
<p>- Sim, está com dificuldades nos trabalhos?</p>
<p>- Não, estou com dificuldade com a dita cuja! &#8211; apontando para o chão da sala, indicando que a presença de Lúcia no ambiente era intolerável.</p>
<p>- E como posso te ajudar? Não entendi.</p>
<p>- Bem, estou careta: não tive tempo para fumar unzinho antes de vir para cá.</p>
<p>- Mas eu não curto.</p>
<p>- Bem, é que um cara me convidou pra fumar, logo que cheguei aqui.</p>
<p>- Sim, mas eu não curto.</p>
<p>- É por que eu não o conheço direito.</p>
<p>- Você tá querendo que eu vá contigo?</p>
<p>- Só pra não dar confiança pra ele, por favor!</p>
<p>- Não sei, Melissa. Se der merda, como fico?</p>
<p>- Falta muito pra aula começar e vai ser lá no terrraço. A gente sobe, como quem não quer nada, e ninguém fica sabendo.</p>
<p>- Olha, não sei.</p>
<p>- Poxa, Bruna, lá é a céu aberto; nem vai sentir cheiro!</p>
<p>Olhei para aquela cara pidona, implorando pela minha companhia, e, mesmo sabendo que ela queria me usar de escudo para uma possível investida do suposto cara, senti pena.</p>
<p>- Tá certo! &#8211; assim que falei, ela abriu um sorriso de criança quando ganha chocolate. &#8211; Mas tem um porém&#8230;</p>
<p>- Lá vem!</p>
<p>- Não quer que eu vá?</p>
<p>- Claro, desculpa&#8230; Diga.</p>
<p>- Qualquer roubada, você assume a culpa toda.</p>
<p>- Mas não vai acontecer, relaxa!</p>
<p>- Isso eu espero, mas prometa que irá assumir.</p>
<p>- Tá bom, tá bom! Eu prometo.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://diario.weyll.com/causo/fragmento-da-promessa-nao-cumprida/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
