|
|
Após sair do estúdio, ainda com a ardência da quinta e última seção de pintura de uma tatuagem no tórax, acenei apressado para o primeiro táxi que vi, já noite, em meio aos travestis que começavam a trabalhar nas ruas da Vila Buarque. O veículo encostou próximo à calçada, poucos metros à minha frente, e dei um pique para alcançá-lo. Abri a porta rapidamente, entrei e sentei no banco de carona.
- Boa noite! Avenida Moema com Ibirapuera, por favor. – pedi.
- Boa noite! – o taxista, um homem grisalho a aparentar cinqüenta anos ou mais, acionou o GPS, definiu o destino, constatou o resultado no aparelho e me informou: – Quarenta e cinco Reais, senhor, porque o Minhocão está engarrafado, de acordo com a previsão de tráfego.
Desde que os taxistas começaram a cobrar antecipado, com essas engenhocas construídas por estadunidenses, inventam que há um engarrafamento aqui e outro ali quando percebem que não estamos carregando nenhum aparelho celular e não podemos verificar a previsão, mas, cansado, apenas movimentei a cabeça em sinal de afirmativo e paguei no cartão, mantendo um breve silêncio a ser quebrado assim que o motorista sintonizou o aparelho de rádio numa estação de música popular brasileira; tocava Sivuca.
- E o jogo de abertura, vai? – perguntou-me, referindo-se à Copa do Mundo.
- Não, não gosto de futebol. – respondi sem rodeios, mais preocupado com a dor da tatuagem recente.
- Faz bem, com essa seleção é o melhor que se pode fazer! – ensaiando um sarcasmo que eu mal pude entender, por não saber mesmo de nada sobre futebol, mas tentei deduzir.
|
 |