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Déia:
Pensou sobre a Ana?
Tito:
Sim.
Déia:
E o que decidiu?
Tito:
Se ela se predispor a fazer um exame toxicológico semanal, recebe o dinheiro.
Déia – surpresa e repreensiva:
Tiiito!
Tito:
O que queria? Depois do que ela fez, é o mínimo que posso fazer!
Déia:
Isso é crueldade, Tito!
Tito:
Crueldade será se eu der essa grana toda na esperança que ela estude e, ao invés disso, eu tenha que ir buscar o corpo no IML.
Déia:
Ai, para! Você fala assim, com essa calma, mas esquece que é sua irmã! O que ela vai pensar quando…
Tito – interrompendo:
Como? O que ela vai pensar? Déia, acorda! Quantas vezes internamos a Ana depois de quase morrer? Quatro? Cinco? Me lembra porque tô esquecido!
Déia:
Esquece isso, não vou brigar com você, mas não tenho coragem de ir dizer isso pra ela.
Tito:
Não foi ela que pediu ajuda? Vai te procurar… E eu não quero brigar.
Déia:
É o que tá parecendo. Se bem sabe como é a nossa irmã, vai vir aqui pra cuspir a raiva.
Tito:
Eu sei.
Déia:
Sabe e se comporta feito criança!
Tito:
Não, quero o melhor para a Ana.
Déia:
Você tá querendo passar por pai com cabeça de irmão mais velho; só isso.
Tito:
Déia, se ela continuar explodindo por qualquer coisa, nunca vai saber se virar.
Déia – irônica:
E você sabe.
Tito:
Você quer me comparar?
Déia:
Nunca parou pra imaginar que a Ana chegou onde chegou com a sua ajuda?
Tito:
Fui eu quem subiu o morro e colocou o cachimbo de crack nos beiços da Ana?
Déia:
Não, mas fomos nós que a impedimos de cursar o mesmo curso que você está pretendendo pagar agora… Cuidado com o que considera melhor pra ela!
Tito:
Déia, me deixa trabalhar!
Déia:
Tá bom, patrão!
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