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Durante todo o dia, evitei ser agressivo com Laila, fui excessivamente carinhoso, fiz todos os seus caprichos e, sabendo da minha tática, ela abusou. Além do costume de sairmos juntos para trabalhar, visitei a sua loja a ouvir tudo o que ela tinha em mente, comprometi-me a ajudá-la na empreitada e, mais tarde, após o horário de serviço, saímos à sua escolha; um bistrô aconchegante em que jantamos pela primeira vez. Passamos duas horas a conversar sobre a nossa própria vida, de como mudamos em cinco anos e de como podemos mudar nos próximos. Subitamente, intercedendo a minha chamada ao maître, pediu:
- Você promete que paramos se percebermos que vamos ultrapassar algum limite?
Não entendi de princípio do que se tratava e parei antes de chamar o senhor.
- Não entendi, amor.
- O bebê. – sorriu.
- Isso é um sim? – eu, que já estava animado, enchi-me de graça naquele momento.
- Não, isso é uma pergunta.
- Bem, depende do que podemos considerar um limite.
- É não fazer de tudo por um risco.
- Que tipo de risco?
- Sabe a Kelly?
- O que tem Kelly? – uma moça que trabalha em sua loja.
- Ela tá prestando vestibular e me disse umas coisas.
- Que coisas?
- Eu falei do que queremos fazer, sem dizer que somos nós, claro, e ela me contou que seria clonagem.
- Bem, segundo entendi, o material genético de um dos espermatozoides vai substituir o do óvulo.
- Desculpa, Lula, não entendo isso.
- Bem, em tese, a criança vai nascer com traços meus e seus; metade de cada.
- Isso parece errado.
- Não iremos saber se não tentar entender.
- Escuta só.
- Diga.
- Eu vou ao médico contigo, mas com uma condição.
- Qualquer uma.
- Eu só quero ouvir o que ele tem pra dizer sobre isso, então você vai me prometer que se ouver a menor chance de acontecer um trauma, paramos por aqui com essa ideia.
- Laila.
- Sim.
- Eu te amo.
- Eu sei, mas quero que prometa.
- Eu prometo.
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